4/27/2006

O 25 de Abril da escrita

Quando se quer escrever aspa casa aspa não se desenha uma v i com acento rgula foi este o princ i com acento pio da revolu c com cedilha a com til o da pontua c com cedilha a com til o ponto final

4/26/2006

Deus não estava satisfeito...

... com a alegria que reinava na Terra e inventou o Diabo para acabar com a boa disposição.

4/23/2006

Estou em Chen.

O palhaço pobre soube que o parceiro com mais posses andava a comer a sua namorada. Já não me faz rir, argumentou. O rico achou a justificação mais que suficiente para dar umas voltas no tapete com ela. A seguir foi magia. Desapareceu sem deixar rasto. O enganado entretanto vingava-se com a trapezista em manobras que nunca imaginou. Mas o número era arriscado. A acrobata partilhava a caravana com o domador de leões, que foi aos arames quando descobriu o truque. Culpa da mulher-barbuda. Durante a noite um dos felinos foi solto da jaula e comeu o mestre de cerimónias. Apanhado no local errado, a horas pouco próprias. Azar de principiante. Ia tentar a sorte com a mulher do palhaço tristonho, que andava desejosa de mais passos de mágica. No dia seguinte não houve circo. O urso constipou-se.

4/21/2006

A Curiosidade matou o gato.

Da vizinha, que se vingou. E envenenou toda a colecção de aves exóticas da assassina.

coisas que elas gostam de ouvir em momentos de alguma intimidade - 3

» ai o teu nome não é paula
interessante

4/20/2006

Amor cão

Ontem perdi a vergonha. E logo à frente de uma mulher que me achava responsável. Eu achava-a linda de viver. Para quê morrer e perder toda aquela beleza?
Flashback.
Pensei que tinha perdido a compostura, mas um olhar mais atento fez-me reparar que ainda a tinha. Da vergonha é que nem sinal. Procurei nos bolsos, no chão, no balcão do bar. Nada. A mulher fixava-me com um olhar de condenação. Como se eu tivesse acabado de perder o seu filho num jardim, à tarde, depois de um passeio. E desculpa para tal acto? Aleguei distracção, mas os jurados riram-se na minha cara. De repente o que começou como um comentário ingénuo transformou-se num hediondo crime com contornos sórdidos daqueles que se adaptam em filmes de êxito com actores famosos e eu que pensava ser um mero figurante estava com as câmaras todas apontadas para mim sem saber o que dizer. Parece que perdi as vírgulas. E a fala.
Flashforward.
Hoje já é amanhã. Com uma defesa brilhante consegui provar que a dita vergonha tinha sido perdida involuntaria, ingénua e sem o uso da mente. Discorri brilhantemente. Sobre o amor, o álcool, a verdade e o futuro. A plateia chorou. Aplaudiu. E rendeu-se à trivialidade dos meus argumentos, regados com uma dose extra de um molho gourmet feito à base de ingredientes exóticos que só são usados por quem conhece a fundo a culinária das aflições.
Consegui que um nunca mais te quero ver se transformasse num hoje não dormimos juntos.
A vergonha apareceu uns dias depois. Como um cão que volta ao dono passado uns dias, cheio de fome.

situações

» um: és um otário de merda
outro: sim, mas por opção

4/18/2006

efeminéride

»se a memória da base de dados não me falha, este blog fez ontem um vistoso mês
a pobreza tem destas coisas
exaltação

4/16/2006

Chez Argent

Os índices de esquizofrenia do indivíduo estavam tão altos que começou a pedir mesa para dois quando ia jantar sozinho. Chegou mesmo a oferecer flores a um lugar vazio, num finíssimo restaurante cuja especialidade era servir mal por, pelo menos, 50 euros por pessoa. Os pratos tinham nomes que lembravam intelectuais franceses em decadência. O sabor fazia justiça à descrição nominal. Imaginem um canibal ter de se alimentar exclusivamente de velhos com fatos a cheirar a bolas de naftalina. O cozinheiro devia ter frequentado Belas Artes. Mas sem sucesso. O empratamento era um insulto às regras básicas do design alimentar. Mais valia assumir a falta de talento e servir as refeições em tachos, como eu gosto. Mas não era eu no restaurante. O indivíduo olhava para a frente, ternurento, e pensava na primeira abordagem à sua visão-companhia. Escolho eu o vinho? Foi o que lhe saiu. Ninguém ouviu, mas ele ainda hoje jura que as palavras "Surpreende-me" foram proferidas. Escolheu um monocasta, para orgulhoso mostrar que sabia o que era um varietal. Cabernet Sauvignon. Dá-se bem em quase todos os solos e é suave. Espero que gostes. O indivíduo gostou. Tanto que bebeu pelos dois. Pagou por três. E saiu de quatro.

4/13/2006

coisas que elas gostam de ouvir em momentos de alguma intimidade - 2 e 1/2

» mesmo assim és melhor do que a tua mãe

coisas que elas gostam de ouvir em momentos de alguma intimidade - 2

» a tua irmã usa mais a língua

4/11/2006

notícia de última hora

»jovem espanca colegas de aula com uma bóia
o jovem frequentava uma pós-graduação em NSN que abriu hoje à tarde, por volta das 13 horas e que contava com apenas 350 alunos
do confronto resultaram 320 mortos, 12 desaparecidos e 18 foram encontrados sem a tal 'vida'
quando questionado pela polícia, o jovem admitiu ter agido por ordem de uma comichão que teve, durante uns segundos, na virilha
a juíza disse, em conferência de imprensa, que as medidas de coação aplicadas, um valente puxão de orelhas e uma chapadinha nas mãos, são mais do que suficientes visto que o detido não representa um sério perigo para a sociedade
a mesma juíza também afirmou em off the record, aqui reproduzido porque o escriba é um atrasado mental, que mais tarde iria à cafetaria comer um folhado misto

Coisas de criança.

Quando era puto passava bolas pela rata quase todos os dias e ninguém me chateava.

Gritava coito e corria vitorioso para um sítio seguro.

Alguém me ajuda a reencontrar a inocência?

Em tom de continuação.

Estão abertas as inscrições para a pós-graduação em Nadador Salvador de Nações. Curso administrado por osmose durante o sono. Os candidatos devem ter consigo no momento da inscrição um cérebro (não indispensável ser o próprio), uma bóia - pato, um ancinho, duas mortalhas e certificado que prove não estar debaixo de água. Os formadores informam que a pós-graduação pode não contribuir em nada para a sua vida, mas o diploma dará um excelente quadro para ter numa sala. Não meta água, salve o seu país!

ooormente, acordei

» no meio da rua
apenas com uma cuecas vestidas, achei estranho, como não me doía nada fui à minha vida
apanhei uma flor, marcada por um cão, e pu-la atrás da orelha...não queria dar nas vistas
avancei para o meio da cidade e reparei que toda a gente estava assim, mas sem a flor atrás da orelha...fui o único a cair no rídiculo
foi assim que começou o meu ensaio sobre a semi-nudez
como em outras tantas ocasiões este país esteve à altura do desafio que lhe foi imposto pelos outros, tirou a roupinha e, por volta das quatro da manhã, bêbado, foi mergulhar na praia mais próxima
não contente com um pirolito, açambarcou tudo o que era água e morreu afogado
o conto ainda se torna mais triste porque os restantes países só deram conta deste óbito quando foram de férias e molharam o pézinho
deram de caras com um país inchado a boiar na calmaria que se pôs

Palavras que saem caro.

Não sabia como usar a palavra sobranceiro até que descobri este homem na história que se segue. Ele era! Sobranceiro:
que está superior a;
que ocupa lugar superior;
que domina;
arrogante;
altivo.
Era porteiro. Que rima com sobranceiro. E ele era. Muito. Era porteiro num daqueles prédios antigos, muito bem recuperados e altivamente frequentados. Segundo o próprio. Morava neste edifício a sede de uma empresa multinacional. Binacional assentava-lhe melhor, que eu só via gente a falar português ou espanhol.
Ora o porteiro, sobranceiro, passava os dias a bajular os patrões que entravam e saiam deste enclave bicultural. Bom dia, Sr. Professor Doutor, por extenso, que o curriculum exige! Boa tarde, Madame - por isso é que era multinacional, descubro agora. Nunca boa noite, que não era o seu turno. Disse-o uma vez, enganado pela mudança de hora.
Mas as falinhas mansas acabavam para os visitantes ocasionais, que apareciam no local por inerência laboral externa. Com esses era um verdadeiro filho da puta. O que fazia justiça à velha Rosa, que o tinha criado dando o corpo a tipos que hoje estão em cadeirões como os deste palacete.
Certo dia, calhou ter de lá ir entregar uma carta. O hall estava em obras. Manutenção do sistema eléctrico, lia-se numa placa escrita à mão, com caligrafia irrepreensível.
Sem vontade, pego no meu sorriso sarcástico e sai um bom dia ao indivíduo. Ele, desvia o olhar como se eu tivesse sarna. Dona Rosa, deves ter fornicado como uma cadela com o cio!
Ora, eu ia apressado e o instinto levava-me ao botão com a seta para cima. Sem reparar nas portas abertas. A besta avança furiosamente na minha direcção. Solta um berro, ao mesmo tempo que escorrega no chão impecavelmente encerado e ainda o ouvi dizer:
- Está fora de uso o elevadooooooooooooooo...

4/10/2006

situações

» ela era alta e loura, eu nem por isso
ela caminhou de uma forma casual, mas sexy e eu engoli em seco
parou à minha frente e disse olá, eu, de nervoso, não contive um pinguinho
perguntou se se podia sentar, deixei de respirar durante 10 a 15 minutos, com a fraqueza a minha cabeça caíu para a frente, ela achou que era um sim e sentou-se
olhou-me nos olhos e disse: eu normalmente não faço isto, até me sinto envergonhada, mas....
a minha semi-masculinidade soltou-se e rastejou para um buraquinho próximo
por entre os meus suores remata: apresentas-me ao teu amigo paulo

tive de lhe dar com uma garrafa na cabeça

4/06/2006

Surpresa

Num jornal de referência para todos os que o achavam indispensável, apareceu uma nova rúbrica. O Consultório Sem Tino Mental. Ninguém queria acreditar! Nem mesmo os que não liam o jornal e nem sonhavam com o que lá se escrevia. Sonhavam com outras coisas. E com outras pessoas. Ou com as pessoas que aparecem no jornal de referência, mas sem o ter como referência. Pormenores...
Neste consultório, faziam-se perguntas. Sem pré-conceitos. Nem pós-modéstias. Perguntar por perguntar. Já que não se paga...
Sempre me disseram para não abusar das reticências.
O jornalista que respondia às perguntas da nova rúbrica andava feliz da vida. A moda pegou e havia imensa gente a questionar o jornal de referência. Mas um dia, uma pergunta que estava na caixa de correio virtual (entregue por um carteiro digital), deixou o jornalista incomodado. Se a montanha veio a Maomé, falou com ele? Duvidava um anónimo, mas respeitável leitor na casa dos trinta, profissional liberal e solteiro por opção. Sabe-se lá de quem... (outra vez!)
Fiquei zonzo! E pelos vistos o senhor que respondia também. Tanto que se meteu num avião com destino a uma montanha. Alta, para ter mais credibilidade. Não sei se foi o nome Maomé e os recentes confrontos ou a vontade de ir para um lugar elevado que o moveram. Assim que achou um ermo a mais de quatro mil metros de altura, achou que estava já num sítio indicado para falar. Com quem ou quê não sabia, mas tinha de o fazer. Gritou desconfiado. Olá! Xiu! Susto... (foram propositadas) Xiu, porquê? Não vês que as montanhas estão a dormir? Era uma voz cavernosa. Podes acordá-las. As montanhas dormem? E podem acordar?
Se não acordassem, como podia eu falar contigo?
Na semana seguinte, o jornalista respondão pediu a demissão do jornal de referência e abriu uma loja de turismo de aventura.

4/04/2006

coisas que elas gostam de ouvir em momentos de alguma intimidade - 1

» vá, vamos lá a abrir essas pernas

4/02/2006

Classificados d' A Capital

Estou entalado entre uma universitária de peito grande, discreta e educada e duas brasileiras. Massagistas. Masoquistas. Intimistas. E não dão mais pistas. Mas tenho de aproveitar o pequeno espaço que me oferecem para desabafar. Tenho um personagem a dar-me cabo da cabeça! Foi-me apresentado por um amigo. Já lá vão dois anos. Mas o facínora não se esqueceu de mim. E agora deu-lhe para isto. Aparece no meu cérebro sem ser convidado. Apresenta um cartão da casa (arranjado sabe-se lá onde) e vai de entrar e desatar a incomodar. Maldita hora em que disseram que o pensamento era livre. Olha se outros personagens resolvem vir à minha festa neuronal de arrasto? Era bonito...
Quer que eu escreva um livro. Para falares de mim, diz o desgraçado. Atrevido, o cabrão! E porque não foste chatear um escritor? Tenho medo de não ser interessante. Pois... Mas o gajo até merece umas linhas. Diz ele que já foi corretor. Mas era incorrigível. E mudou de vida. Anda à procura de uma frase que seja digna de se gravar na sua lápide. Mórbido? Louco? Não quero que me recordem pelas razões erradas. Fiz-lhe um orçamento para escrever a frase. Afinal, headlines ainda consigo fazer. Não! Quero é que me ponhas a pensar nisso. Esquisito e exigente, para personagem. Não lhe chega a frase. Quero é que contes como lá cheguei. Maquiavélico... E convencer o bicho que não sou escritor? Já liguei para o cento e diz oito - Instituto Nacional de Emergência Escritural, mas casos como este não são da sua responsabilidade, disse o outro lado do telefone.
Preciso de apoio. Ajudem-me a ser escritor ou a apagar memórias.